RN pode ficar sem remédios para UTIs; em alguns municípios estoque de oxigênio já chegou ao limite


Foto: Rovena Rosa (Agência Brasil)

O Rio Grande do Norte é um dos 18 estados em que o “kit de intubação” tem estoque para somente mais 20 dias, segundo a carta do Fórum Nacional de Governadores, entregue ao presidente Jair Bolsonaro. Além disso, de acordo com levantamento da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), alguns municípios potiguares já chegaram no limite do estoque de oxigênio.

No documento entregue ao presidente, com a assinatura de Fátima Bezerra, os governadores afirmam que o preço dos insumos para intubação está até 75% superior ao valor de um ano atrás.

E o que deixa tudo ainda mais preocupante é que o mercado não está conseguindo suprir a quantidade de medicamentos na mesma velocidade que se aumenta a ocupação de leitos em todo o Brasil, como relataram alguns governadores ouvidos pelo Jornal O Globo em reportagem publicada nesta sexta-feira (19).

“Gestores públicos e entidades médicas pressionam o governo federal por soluções para a falta de medicamentos. Ontem, o Conselho Federal de Farmácia, a Frente Nacional de Prefeitos e o Fórum dos Governadores enviaram cartas ao Ministério da Saúde para pedir facilitação de importação de insumos, compras emergenciais, redução do preço dos remédios pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e um esforço governamental para que a indústria aumente sua produção”, diz a matéria.

Ainda segundo O Globo, a Frente Nacional de Prefeitos listou 11 estados com municípios em risco de colapso na rede de saúde por falta de oxigênio. O Rio Grande do Norte é um desses, ao lado de Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, por exemplo.

Ouvido na matéria, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Eduardo Lula, afirmou que “o cenário que se desenha é preocupante e que nos próximos dias o país pode enfrentar novamente a escassez do insumo, a exemplo do que ocorreu em Manaus no começo do ano”.

Há dois dias, o jornal a Folha de SP já havia publicado matéria sobre a situação dos municípios do Rio Grande do Norte. No estado, pelo menos 60 prefeituras foram alertadas pelas empresas fornecedoras de oxigênio sobre a dificuldade de atender a demanda atual do insumo.

É o caso de Ceará-Mirim, na região metropolitana de Natal, onde o prefeito Júlio Cesar (PSD) chegou a ser notificado pela empresa fornecedora de oxigênio sobre a incapacidade de atender a demanda atual. No município, os cilindros de oxigênio eram entregues ao hospital da cidade quinzenalmente, mas a frequência da entrega passou a ser a cada três.

Outro caso problemático é o de São José de Mipibu, também na Grande Natal. No último domingo (14), a cidade chegou a suspender o atendimento de novos pacientes na UPA. Na porta da unidade, a prefeitura colocou um aviso justificando a suspensão pela dificuldade de abastecimento de oxigênio.

Em Natal, onde há UPAs e hospitais operando com mais de 100% da capacidade de internação, a Secretaria Municipal de Saúde garantiu que até o momento não existe risco de desabastecimento de oxigênio.

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