Turismo de Vacina: Agências no RN oferecem pacotes de R$ 18 mil para imunização nos EUA


Fila de vacinação na Flórida (foto: AP).

A viagem completa dura por volta de 20 dias, sendo 15 noites no México, mais 5 nos Estados Unidos. Esse é o pacote básico para quem deseja sair de Natal-RN para se vacinar nos Estados Unidos com o imunizante da Janssen, de dose única.

O preço? R$ 18 mil, incluso apenas a passagem de ida e volta e a hospedagem. A vacina é gratuita.

Está na cara que a viagem é para um público bem restrito, que tem disponibilidade de tempo e dinheiro. Mas a demanda existe. 

As informações são da presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do RN (ABAV-RN), Michelle Pereira. Segundo ela, até o momento há duas agências potiguares montando esses pacotes de vacinação nos EUA. Uma delas é a Michelle Tour, da própria presidente da ABAV-RN.

“Com as notícias de que turistas estão sendo vacinados nos estados de Nova York e Flórida, alguns clientes vieram nos procurar atrás desse tipo de viagem”, diz Michelle. “Não estamos anunciando porque é uma procura bem pontual”.

A presidente da ABAV-RN explica que os 14 dias de quarentena no México são uma exigência porque os EUA estão com as fronteiras fechadas para o Brasil.

Dos países com fronteira aberta, o México é a opção mais popular entre os brasileiros (Costa Rica e República Dominicana seriam outras alternativas). E no México, o destino principal é a costa do Caribe, em especial Cancun.

“O México está aberto para brasileiros, não exige teste PCR, pode-se fazer turismo lá dentro. Algumas pessoas estão nos procurando justamente para fazer as duas coisas: tomar a vacina e passear”, comenta Michelle. “Os pacotes são feitos de modo personalizado, incluindo inclusive mais dias. Por exemplo, temos um cliente que pediu no roteiro hospedagem em hotel cinco estrelas em Cancun e em outros dois destinos no México, porque vai aproveitar para conhecer o país”.

Na Michelle Tour os pacotes têm como destino o estado da Flórida, em especial as cidades de Orlando e Miami, porque para Nova York o preço ficaria bem mais elevado.

Para chegar nos EUA, o turista tem que apresentar um teste PCR negativo feito no México 72 horas antes do embarque.

Uma vez em Miami (ou em Orlando), basta se cadastrar no sistema online e ir a um dos postos de vacinação (farmácias, pontos turísticos, lojas de departamento) onde está sendo disponibilizado o imunizante da Janssen (braço farmacêutico da Johnson & Johnson), de dose única, para tomar a vacina gratuitamente. Depois, respeitando os protocolos para turistas, o negócio é passear pela cidade até o dia de regressar para o Brasil.

“Até o momento, o perfil de quem tem nos procurado é de pessoas na faixa dos 40 anos, empresários, até porque quem tem 50 está próximo de se vacinar no Brasil”, informa Michelle.

Sua agência também está montando pacotes para grupos de jovens na casa dos 20 anos com pais dispostos a bancar a viagem. “São pacotes de R$ 14 mil, com hospedagem em quarto quádruplo”.

Turismo regional e a expectativa para 2022

Segundo a presidente da ABAV-RN, o que tem segurado as contas das agências de viagem nesse longo período de pandemia é o turismo regional.

“Não está fácil. Ano passado chegamos a faturamento quase zero. O que está tendo de procura é o turismo aqui pela região, para destinos até 600 km de distantes de Natal. Nossa malha aérea ainda está muito restrita”, explica.

Para Michelle, viagens mais longas vão ficar somente para 2022. “Já tem gente procurando pacotes para o Carnaval e Semana Santa. Mas por enquanto, enquanto a vacinação não avançar no Brasil, as pessoas não vão se sentir seguras para viajar. A vacina é fundamental”.

Ainda segundo a presidente da AVAB-RN, muitas pessoas estão preferindo fechar suas futuras viagens através das agências por causa do atendimento pessoal. “As pessoas estão vendo que comprando por agência tem mais segurança. Que além da curadoria, nós cuidamos da remarcação de datas, damos retorno, e que aquelas pessoas que tem feito tudo pela internet estão tendo problema”.

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